Economia compartilhada: O que é e como afeta o mercado de transportes de cargas?

By 17/12/2018 janeiro 2nd, 2019 Novidades

É cada vez mais comum a discussão de como tornar o dia a dia de pessoas e empresas mais sustentável. O grande consumismo acelerado – e desnecessário – juntamente com os altos gastos preocupam gregos e troianos. Todos procuram alternativas para diminuir custos e melhorar processos em meio a recessões. É neste contexto que o conceito de economia compartilhada nasceu e tem chamado a atenção do capitalismo mundial.

A ideia é que você continue usufruindo dos recursos que precisa, mas de forma econômica. Esqueça a ideia de acúmulo de bens e dê espaço à ideia de compartilhamento de espaços e ferramentas com outras pessoas (e empresas).

A economia compartilhada te leva a pensar o porquê você precisa daquele bem, ao invés de apenas adquiri-lo. Você quer um carro ou precisa se locomover para o trabalho? Quer um quarto de hotel ou precisa de um lugar para se hospedar quando sair de férias?

Segundo a especialista e escritora do livro “What is mine is yours”, Rachel Bostman, a economia compartilhada pode ser definida por três grandes sistemas:

Mercados de redistribuição: quando itens que não são mais utilizados por uma pessoa ou empresa passam para outro local onde ele é necessário. Baseia-se nos princípios de reduzir, reutilizar, recuperar, reciclar e redistribuir.

Lifestyles colaborativos: quando a proposta é compartilhar recurso tais como dinheiro, tempo e habilidades. São contemplados por marketplaces de pessoa para pessoa, onde todos podem compartilhar e receber recursos.

Sistemas de produtos e serviços: quando o consumidor paga pelo uso e benefício de um produto, e não pela posse.

As soluções de economia compartilhada têm como objetivos gerar confiança entre os usuários e melhorar experiências. Como também a colaboração na economia e sustentabilidade.

Quais são os exemplos de como isso já vem acontecendo?

Essa tendência fez surgir uma série de sistemas e aplicativos capazes de ajudar a operacionalizar a troca e a criar essa nova concepção de bens duráveis, que passam a ser vistos como objetos de uso temporário. O Airbnb, por exemplo, é um sistema em que pessoas podem oferecer cômodos ou imóveis inteiros que não estão sendo utilizados para quem deseja alugar por uma temporada. Mesmo cobrando uma taxa de serviço, a ferramenta pode se mostrar mais econômica do que outras opções de acomodação.

O mesmo acontece com o Uber, que conecta pessoas com carro e vontade de fazer um dinheiro extra com quem precisa se locomover mas não quer dirigir e nem pagar mais em um serviço de táxi. Já o Bliive possibilita a troca de tempo livre entre os usuários, em que cada hora ensinada dá direito a horas para aprender com outras pessoas assuntos que sejam do seu interesse.

Dá mesmo para confiar?

Na economia colaborativa, ganha mais quem é mais confiável. Quanto mais avaliações positivas de outros usuários, melhor a classificação. E, claro, mais chances de ser escolhido – como contratante ou como contratado. A reputação, portanto, volta a ser um grande critério de qualificação que ajuda a identificar indivíduos e empresas com postura duvidosa.

Como esse modelo está presente no mercado de transportes do Brasil?

A economia compartilhada traz uma série de mudanças na sociedade como um todo, e não poderia ser diferente nas empresas. do mercado de transporte de cargas Uma delas (possivelmente a maior) é o aumento dos modelos de renda e emprego através da prestação de serviços sob demanda, o que diminui o consumo e aumenta a variedade de produtos disponíveis.

Muitas empresas já adotam o escritório compartilhado, ou coworking, como forma de diminuir custos com infraestrutura física. Além de economizar, trabalhar em um coworking pode ajudar a aumentar a rede de contatos, a estar presente em mais cidades com menores custos e a impulsionar negócios. Segundo levantamento anual divulgado pelo Coworking Brasil, já existem mais de 400 espaços de escritórios compartilhados espalhados pelo país (52% a mais que em 2015).

Economia compartilhada para o mercado de transporte de cargas
A economia compartilhada no transporte de cargas pode ser aplicada na contratação de autônomos sob necessidade, ao invés de manter uma frota que em baixa demanda fica ociosa e acaba gerando gastos desnecessários de manutenção.

Nesse caso, a economia compartilhada ajuda a evitar que o autônomo volte com o caminhão vazio. Quando a demanda está baixa, a empresa, por sua vez, evita gastos para manter pessoas e veículos parados no pátio. E economiza também por não precisar enviar caminhões da sua própria frota para entregas que não tenham carregamentos de volta,o que evitará desperdício de tempo e dinheiro.

Outro exemplo de ferramenta como esta no segmento de logística é o Rapiddo, que atende pessoas físicas e jurídicas que necessitam de um entregador de confiança (motoboy, van ou bicicleta), providenciando uma entrega rápida e segura. É possível fazer a cotação online (via site ou aplicativo) e contratar o entregador mais próximo.

Já o Shippify pretende ajudar comerciantes locais a entregarem seus produtos aos consumidores finais por meio de shippers cadastrados e verificados. Qualquer proprietário de um meio de transporte, seja bicicleta, carro, moto, carro de passeio etc, pode se solicitar o cadastro no aplicativo da empresa para realizar entregas pelas cidades em que o sistema já atua. A proposta do Shippify é diminuir os custos dos comerciantes e incrementar a renda de quem já está indo para aquele caminho e quer aproveitar para fazer uma entrega.

Conclusão

Antes a tecnologia era constantemente acusada de afastar relacionamentos humanos. Atualmente é a maior aliada para aproximar e gerar interações entre pessoas e empresas, com as mesmas dificuldades e/ou oportunidades. E os benefícios já começam a aparecer! De acordo com a Forbes, a economia colaborativa deve gerar uma receita anual de US$3,5 bilhões para os usuários, valor que pode crescer 25% ao ano.

Como vimos, a economia compartilhada veio para ficar, porque é mais sustentável, mais econômica e mais prática. E os negócios que estiverem atentos às oportunidades só têm a ganhar! Será que esse é o caso da sua empresa?

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